CÁRIE PRECOCE E SEVERA NA INFÂNCIA


A CSI é uma forma de cárie dentária que afeta bebês e crianças. É infecciosa e de desenvolvimento rápido, iniciando logo após a erupção dos dentes.
Suas manifestações incluem dor, abscessos e dificuldades mastigatórias, afetando a alimentação e o sono da criança. Além disso, afeta também sua saúde geral, fala e autoestima.
Estudos recentes realizados no Brasil afirmam que a faixa etária que desenvolveu mais cárie foi de 1 a 3 anos de idade. A doença cárie inicia com o aparecimento de mancha branca opaca, sem cavitação, na superfície do dente, resultante da desmineralização do esmalte dentário. É forte a associação entre frequência de ingestão de carboidratos, principalmente a sacarose, e o desenvolvimento da doença cárie, sobretudo se esse contato ocorrer entre as refeições e no período de sono, quando o efeito protetor da saliva está ausente, pois o fluxo salivar é reduzido.
Na criança, hábitos como o uso irrestrito de mamadeira, dormir mamando (sucos de frutas industrializados, chás adoçados, leite fermentado, leite com carboidratos fermentáveis como farináceos e açúcar) estão associados ao desenvolvimento de CSI. Dentre os hábitos familiares, os que mais contribuem para o desenvolvimento da CSI são dormir com mamadeira, dificuldade na higiene dental da criança e manter líquidos na boca por período prolongado, principalmente durante o sono.
Crianças com doenças crônicas que fazem uso contínuo de medicamentos contendo sacarose, na forma líquida ou comprimido mastigável, via oral, com administrações repetidas e algumas em período de sono, podem apresentar risco se houver ausência de higiene após a administração dos mesmos. Isso ocorre devido à alta concentração de sacarose em tais drogas. No Brasil, a maioria dos medicamentos pediátricos analisados apresentou pH abaixo do crítico para dissolução do esmalte (5,5) e alta concentração de sacarose (variação de 11,21 a 62,46%), o que resulta numa contribuição ao desenvolvimento de erosão dentária e aumento do potencial cariogênico.
Crianças que apresentam defeito de desenvolvimento de esmalte são mais vulneráveis ao desenvolvimento da doença cárie se expostas às situações descrita.

Crianças que necessitam tratamentos oncológicos ou reumatológicos podem estar mais suscetíveis.
O sinal clínico inicial da doença cárie na infância é a presença de manchas brancas e opacas, que são áreas desmineralizadas pela presença de biofilme dental (Figura 1
A perda precoce dos dentes decíduos deve ser evitada, pois esses são de grande importância para o adequado desenvolvimento e crescimento dos arcos maxilares, organização correta da oclusão e função mastigatória e fonoarticulatória.

A perda dos dentes pode acarretar sérias consequências para a dentição permanente).
O desenvolvimento dos dentes decíduos tem seu início no período intrauterino, tornando-se importante os controles de doenças infecciosas e da dieta materna. Dessa forma, a prevenção da cárie precoce e severa da infância deve ter início na gestação.
A consulta odontológica se torna importante para avaliar a condição bucal da mãe, instituindo tratamento curativo ou preventivo, principalmente com motivação para os cuidados bucais, a fim de controlar os níveis de S. mutans e, dessa forma, diminuir a transmissão de bactérias cariogênicas para seus bebês.


“A primeira consulta odontológica deve ser entre 2 meses e 1 ano de idade, para trabalhar os fatores de risco para a doença cárie, promovendo a educação ao núcleo familiar.
Os pais devem ser orientados a oferecer copos em torno de 1 ano de idade. Evitar o uso de mamadeiras para beber líquidos com carboidratos fermentáveis. Iniciar a higiene bucal antes de irromper o primeiro dente. Deve-se aconselhar ao núcleo familiar que evite compartilhar os talheres, assoprar os alimentos, colocar a chupeta do bebê na boca e beijar a criança na boca. Isso evita a transmissão vertical de microorganismos.’’

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29 jun 2017


Por Drª Rosane Guerra Brum
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