A AGROPECUÁRIA É A NOSSA INDÚSTRIA!


O Alegrete, assim como Rio Grande do Sul tem na agropecuária sua maior vocação e, sendo o Brasil um grande player mundial na produção de alimentos, os produtores do Alegrete estão colaborando para o crescimento de nosso país. Portanto, é preciso que seja sempre reconhecido e valorizado por toda a nossa sociedade.

            As exportações do agronegócio gaúcho cresceram 10,8% nos quatro primeiros meses deste ano, se comparadas ao mesmo período do ano passado. Os dados da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) mostram que a soja e a carne garantiram o aumento. Os resultados refletem na economia.

            Além do incremento das áreas de soja em direção às regiões da Fronteira e Campanha, o que inclusive gera um certo grau de preocupação por parte de quem defende a não alteração da vegetação original do Bioma Pampa e vê este avanço da oleginosa como uma ameaça, houve um acréscimo de produtividade da lavoura em decorrência do clima. Mas, este é um tema (avanço da soja sobre o Pampa) que merece e precisa ser debatido intensamente, pois ainda há muito o que se pesquisar em termos dos prós e contras da integração lavoura-pecuária já que, tanto economicamente, como em termos de estrutura físico-química do solo há inúmeros benefícios já comprovados cientificamente. O problema seria o uso intensivo de agrotóxicos, o qual usado de forma ininterrupta levaria, ao longo dos anos, ao desaparecimento de espécies nativas importantes para a biodiversidade de fauna e flora, algo tão valorizado mundialmente, porém ainda sem uma política de compensação aos produtores que fazem sua produção pecuária baseado em campo nativo.

            Mas, somados, os bons desempenhos das vendas de soja e derivados (58,3%) e das carnes (16,2%) apresentaram aumento de US$ 534 milhões em relação ao valor exportado em 2016.

            Cerca de 65% das exportações são do agronegócio. A China continua sendo a principal compradora do que é produzido no estado, com uma participação de 37% do total. Depois vem a Rússia, com 4%, e os Estados Unidos, com 3%.

            Entre as carnes, a de suíno foi a que mais aumentou o valor exportado, quase 35%. Na Região Noroeste, tanto a soja quando a carne são fundamentais para fazer a economia dos municípios girar.

            Embora o preço pago ao produtor pela carne de porco tenha se mantido estável e a saca de soja esteja em baixa, o aumento nas exportações traz reflexos importantes:

"Isso impacta na indústria, no comércio, nos serviços. A venda de máquinas agrícolas tem um impulsionador pra região, vai trazer mais renda e voltar a movimentar ainda mais o comércio e serviços também", analisa a economista Cátia Rossa.

            Os empregos relacionados ao setor do agronegócio também aumentaram em todo o estado. As contratações do primeiro trimestre na agricultura e indústria superaram o número de demissões em 24.744 vagas, 20% a mais do que no ano passado, contrariando alguns índices nacionais.

            O RS tem o maior Valor Adicionado Bruto na agropecuária, entre os estados brasileiros, correspondente à 11,6%.

            Aqui no Alegrete, além da boa notícia da retomada de abates por parte do Frigorífico Marfrig, o que gera mais de 600 empregos diretos, além de um retorno de ICMS nada desprezível para um município como o nosso, o qual possui o maior rebanho bovino do estado, temos as culturas do arroz e soja, sendo esta última com incrementos significativos de área nos últimos anos. Além disso, é importante frisar que o município possui cerca de 60% das propriedades rurais com área inferior a 100ha, o que torna indispensável pensarmos em estimular atividades alternativas para estes proprietários, onde se incluem a bovinocultura leiteira, já uma realidade, e a horticultura, setor este que vem recebendo um forte estímulo em virtude dos programas oficiais, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), favorecendo e garantindo importantes canais de comercialização. Ainda não menos importante, temos que destacar um setor que vem sendo uma referência à nível estadual e nacional, que são nossas agroindústrias de carne, as quais tem na venda de carcaças e cortes ovinos, além produção de charque e linguiça, uma projeção nacional.

            Finalmente, cabe colocar para reflexão de todos que, mesmo que tenhamos 90% da população do município morando na cidade, é preciso valorizar o setor produtivo rural, pois esta é a nossa indústria e é a principal fonte de geração de recursos, mesmo nos setores de comércio e serviços.

Márcio Fonseca do Amaral

Vice-Prefeito 

Alegrete/RS

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22 ago 2018


Por Márcio F. Amaral
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